Stefano Zamagni é economista,autor de várias obras, membro do Conselho Pontíficio Justiça e Paz e Presidente da Comissão Italiana para o sector não lucrativo

O currículo de Stefano Zamagni é demasiado extenso para ser aqui publicado, mas ao se ler esta entrevista – que antes parece um ensaio -, torna-se de imediato perceptível que o professor de Economia, autor, membro de ilustres instituições e laureado com vários prémios não seja “apenas” um economista. Numa viagem ao mundo empresarial da actualidade, aos seus diferentes modelos, à necessidade da maximização não do lucro, mas da ética, passando pela identificação dos mais complexos problemas do mundo em que vivemos ou à exortação para uma nova vaga de globalização, Zamagni oferece-nos várias lições de História, Ética, Filosofia, Sociologia e Teologia, as quais acabam por desaguar no mesmo rio: a urgência de uma sociedade mais humanista e a ideia de que o bem comum terá de assumir um papel central nos negócios
POR HELENA OLIVEIRA

Enquanto economista e tendo em conta a visão macro que possui relativamente ao mundo empresarial, como define o posicionamento actual das empresas na sociedade?

Quem observar a relação existente entre a economia e a sociedade na actualidade, irá perceber que as sociedades civis já não esperam somente que as empresas produzam riqueza, desenvolvam produtos de qualidade a baixo custo, paguem os seus impostos e respeitem a lei. Ao invés, as expectativas apontam para que as empresas sejam capazes de assumir outras “tarefas” as quais, e até há pouco tempo, eram consideradas como responsabilidade do Estado, da Igreja ou da família. Em simultâneo, as expectativas das organizações da sociedade civil também foram objecto de mudança, sendo agora esperado que estas operem de maneira eficiente e mediante formas que a opinião pública, no passado, não exigia. E este é um dos temas centrais do Congresso Mundial da UNIAPAC que terá lugar brevemente em Lisboa.

Este processo de conferir maior visibilidade às relações sociais em conjunto com uma eficiência maior, seja do lado da empresa capitalista, seja da empresa social, teve origem no início dos anos de 1950, mas foi só recentemente, e muito graças à insistência do princípio da subsidiariedade, que atingiu uma significativa massa crítica, influenciando de uma forma profunda tanto o público como as instituições políticas. Este fenómeno é, agora, extremamente diversificado e complexo, e muito mais do que poderemos pensar.

Por um lado, as empresas que foram fundadas no interior de um sistema capitalista liberal começaram a levar em linha de conta os factores sociais, muito graças à pressão dos grupos de consumidores; por outro, associações variadas com um objectivo social claro sentiram também a necessidade de se transformarem em empresas, ou seja, no sentido de terem de lidar com as dinâmicas típicas do mercado. Este fenómeno agregou em si mesmo duas tradições distintas e diferenciadas: o negócio capitalista que vai além dos seus limites “invadindo” a dimensão social e o mundo do valor social que passa a ter uma face empresarial.

Escreveu, num paper, que “a ética das virtudes tem a capacidade de solucionar a oposição entre o auto-interesse e o interesse pelos outros”. Como avalia esta ética virtuosa no ambiente empresarial da actualidade?

“A empresa” – escreveu Colin Mayer -, “tem vindo a evoluir substancialmente ao longo dos últimos 100 anos, mas os processos significativamente evolucionários que eram esperados no sentido de uma melhor adequação ao mundo em que vivemos, fizeram exactamente o oposto” (Firm CommitmentOxford, Oxford University Press, 2013, p.2).

Um factor determinante para este estado das coisas reside na interpretação errónea que fazemos no que respeita à natureza e ao propósito da empresa. É insensatamente reducionista caracterizá-la como um mero “nexo de contratos” entre diferentes partes interessadas, e atribuindo-lhe um único propósito: o da maximização do lucro como a única métrica admissível para o sucesso dos negócios. Uma abordagem desta natureza possui defeitos sérios, sendo que o mais relevante é o seu reducionismo: a empresa pode fazer mais e melhor do que somente maximizar lucros.

[quote_center]Estamos perante um novo fenómeno: o negócio capitalista que vai além dos seus limites “invadindo” a dimensão social e o mundo do valor social que passa a ter uma face empresarial[/quote_center]

A ideologia dominante de governança corporativa é a de que as empresas, e para que atinjam uma performance económica superior de longo prazo, deverão maximizar o valor para o accionista (MVA).

Como promulgado pelos teóricos do agenciamento, a MVA é uma ideologia de extracção de valor que carece de uma teoria de criação de valor. E, de acordo com muitos académicos, não existem nem imperativos legais nem argumentos económicos que suportem o mito do accionista.

Na verdade, e ao contrário do que muitos acreditam, a lei corporativa não impõe qualquer dever legal aos executivos no sentido de estes maximizarem os lucros ou os valores das acções. E não existe nenhuma evidência empírica persuasiva que demonstre que as empresas que são geridas de acordo com os princípios da MVA tenham uma melhor performance ao longo do tempo face às que não o são. Uma empresa é uma comunidade humana com um papel específico: produzir bens e serviços de forma a consumir menos recursos do que aqueles que produz e que estes sejam úteis para as pessoas que os adquirem.

O seu dever moral é ser lucrativa, mas não só. A empresa tem igualmente uma clara responsabilidade relativamente aos seus membros, fornecedores, clientes e sociedade alargada, ao que se junta o interesse de longo prazo das gerações futuras, a sustentabilidade ecológica e o ser “pró-social”. O lucro é um resultado, e não o critério exclusivo para se julgar qualquer decisão de negócio em particular. Essa responsabilização é ética na sua natureza. Mas falar de ética não é suficiente, na medida em que existem muitas orientações e teorias éticas. E nem a ética utilitarista ou a ética deontológica são, neste caso, suficientes. O que se exige é uma ética das virtudes.

Por seu turno, as organizações orientadas por uma missão desenvolvem-se a partir de uma vocação que nasce das motivações intrínsecas dos seus promotores/fundadores, tal como sublinha a UNIAPAC.O ideal que faz mover estas organizações pode revestir-se de formas diversas: seja o tipo de actividade que é desenvolvida, ou as razões que explicam por que motivo a organização existe (se, por exemplo, foi criada para proporcionar trabalho aos mais desfavorecidos), seja a forma como desenvolve a sua actividade, a sua governança ou a sua estrutura organizacional.

[quote_center]A maximização de valor para o accionista é uma ideologia de extracção de valor que carece de uma teoria de criação de valor[/quote_center]

E estes aspectos têm de estar presentes em conjunto numa organização assente em valores, mesmo que em graus diferentes, na medida que é difícil imaginar, por exemplo, que a motivação para um bem intrínseco não esteja relacionada com uma forma de governança apropriada aos mesmos, e na medida em que o “novo vinho” desta missão precisa de odres igualmente novos para o armazenar e ajudar a maturar com o tempo.

Fala-se muito de “bem comum”, mas a sua interpretação nem sempre é clara ou correcta. Enquanto especialista e autor de um livro importante sobre o tema – L’economia del bene comune– qual a melhor forma de o definir?

Uma forma simples, mas eficaz, de captar o seu significado consiste em compará-lo com a noção de bem total (que deriva de uma ética baseada em regras, quer utilitarista, quer deontológica). Se este último pode ser exemplificado pela metáfora de uma adição, em que os itens a adicionar representam o bem de cada indivíduo (ou dos grupos sociais que compõem a sociedade), o bem comum assemelha-se mais a uma multiplicação, cujos factores representam o bem de cada indivíduo ou grupo.

O significado da metáfora é claro. Numa adição, o total permanece positivo mesmo que alguns dos itens  sejam anulados. Por conseguinte, se o objectivo é maximizar o bem total (por exemplo, o PIB nacional), o bem (ou o bem-estar) de alguém pode efectivamente ser “anulado” desde que o bem-estar de outra pessoa aumente mais do que aquilo que a outra pessoa perde. Numa multiplicação, por outro lado, basta anular um único factor para diminuir o produto total para zero.

Por outras palavras, a lógica do bem comum não permite cedências: o bem de uma pessoa não pode ser sacrificado, independentemente da situação de vida ou classe social dessa pessoa, a fim de aumentar o bem de outra pessoa pela razão básica de que a primeira é um ser humano. De acordo com a lógica do bem total, a “outra pessoa” é um indivíduo, ou seja, um sujeito identificado por uma determinada função de utilidade. E, como sabemos, as utilidades podem simplesmente ser adicionadas (ou comparadas), já que não têm rostos, nem identidades, nem histórias. Como Aristóteles deixou claro, a vida vivida em comum pelos seres humanos é algo muito diferente da mera partilha de pastos entre os animais. No pasto, cada animal come por si próprio e tenta retirar alimentos aos outros. Na sociedade humana, por outro lado, o bem de cada pessoa só pode ser alcançado através do trabalho em comum. Acima de tudo, o bem de cada pessoa não pode ser usufruído a menos que seja também usufruído por todas as outras pessoas.

[quote_center]A empresa pode fazer mais e melhor do que somente maximizar lucros[/quote_center]

Mas por que motivo o bem comum e o bem total continuam a ser confundidos, mesmo por especialistas, criando inúmero mal-entendidos e conduzindo a muitos argumentos estéreis e inconclusivos? A resposta mais convincente é a de que a cultura prevalecente na actualidade está tão impregnada de utilitarismo filosófico que até aqueles que, pelo menos verbalmente, se opõem ao mesmo acabam, na prática, por ser condicionados por ele. Na verdade, vale a pena recordar que a ética utilitarista de Jeremy Bentham [filósofo, jurista e reformista social considerado como o fundador do utilitarismo moderno] afirmou e disseminou a ideia de que o objectivo da política era o bem total da nação e, portanto, que o mercado (ou seja, a economia) e as instituições públicas não deviam ser organizadas de modo a impedir que tal objectivo fosse atingido.

Uma década passada sobre o início da crise financeira, há lições positivas a retirar?

Permita-me citar duas iniciativas recentes e relevantes. A primeira é o MBA Oath, iniciada pela turma de licenciados de 2009 na Harvard Business School. O seu principal objectivo é fazer a diferença nas vidas dos MBAs que aceitam fazer o juramento; desafiar outros MBAs a trabalharem com padrões profissionais mais elevados, quer estes assinem ou não o juramento; e, finalmente, captar o interesse dos media para se discutir publicamente de que forma é possível melhorar-se a gestão.

Seguem-se algumas citações deste juramento: “Eu prometo que irei gerir a minha empresa com lealdade e cuidado e que não colocarei os meus interesses pessoais à frente da mesma ou da sociedade… Juro que protegerei os direitos humanos e a dignidade de todas as pessoas afectadas pelo meu negócio e opor-me-ei à discriminação e à exploração…Juro que me manterei responsável pelas minhas acções junto dos meus pares e da sociedade, defendendo estes padrões elevados. E exerço este juramento de forma livre e sob a minha honra”. (M. Anderson, P. Escher, The MBA Oath. Setting a Higher Standard for Business LeadersPortfolio, 2010).

[quote_center]O lucro é um resultado, e não o critério exclusivo para se julgar qualquer decisão de negócio em particular[/quote_center]

A segunda iniciativa foi tornada pública pela Dutch Banking Association em Abril de 2015. A todos os banqueiros na Holanda foi pedido que assinassem o seguinte juramento: “Eu juro que dentro dos limites da posição que ocupo no sector bancário irei cumprir os meus deveres com integridade e cuidado; que colocarei os interesses dos clientes em primeiro lugar; que não farei uma utilização abusiva dos conhecimentos que tenho [do sector bancário]; que serei aberto e transparente e que estou consciente das minhas responsabilidades para com a sociedade”. (para aceder ao texto completo do juramento, veja M. O’Hara, Something for Nothing. Arbitrage and Ethics on Wall Street, New York, Norton & Co., 2016, pp.175-176).

Foi um dos mais proeminentes colaboradores do Papa Emérito Bento XVI quando este escreveu a Caritas in Veritate. Esta importante encíclica coloca um desafio à comunidade empresarial quando lhe pede “uma forma profundamente nova de compreender o ambiente empresarial”, ao mesmo tempo que exorta ao “bem comum” já acima mencionado. Na sua perspectiva, estão os líderes de negócios a aceitar este desafio e a comprometerem-se a seguir um novo caminho?

Num relatório particularmente interessante realizado em parceria pelo Global Compact das Nações Unidas e pela Accenture (CEO Study on Sustainability, 2013), é possível ler: “A economia global está no caminho errado e as empresas não estão a fazer a sua parte para que se crie um futuro sustentável”. Este estudo, o mais extenso até à data, contou com um universo de 1000 CEO de 27 indústrias em 103 países. E são várias as suas conclusões: os CEOs estão comprometidos a agir; reconhecem que as regras do mercado têm de ser desenhadas para criar condições equitativas e para recompensar performances socialmente responsáveis; uma agenda de liderança corporativa para moldar o futuro é particularmente urgente nos dias que correm e o grande desafio é equilibrar dois objectivos aparentemente conflituosos.

O primeiro reside no facto de os líderes de negócio terem de assegurar a sustentabilidade e prosperidade das suas empresas. O segundo está relacionado com a necessidade de encontrarem as condições ideais para uma prosperidade económica contínua e mais inclusiva, bem como para uma integração económica global. O que implica configurar a próxima vaga de globalização.

Enquanto a última vaga se centrou no acesso aos mercados estrangeiros e à criação de cadeias de fornecimento globais e de baixo custo, a próxima terá de seguir um padrão muito diferente e com as seguintes características: mais descentralizada, mais geograficamente diferenciada, mais digitalmente interconectada, mais conhecedora do impacto social e redobrando a importância da “construção” de capacidades em detrimento da exploração dos custos diferenciais do trabalho.

[quote_center]De acordo com muitos académicos, não existem nem imperativos legais nem argumentos económicos que suportem o mito do accionista[/quote_center]

Para contribuir para a sociedade, e para ganhar o seu apoio, as empresas têm de estar profundamente “encaixadas” na mesma. E uma forma de o fazer será através do desenvolvimento de negócios sociais adjacentes aos seus modelos de negócio centrais. Esta realidade coloca a empresa na posição de solucionar alguns problemas importantes através de contribuições filantrópicas não sustentáveis.

A este respeito, devemos considerar a criação, ainda muito recente, das benefit corporations [B Corps], as quais representam uma forma legal nova e em grande crescimento de uma empresa social com fins lucrativos. Ou seja, não têm a obrigação legal de maximizar o valor para o accionista mas, e ao invés, estão legalmente vinculadas a perseguir um benefício social. Nascidas nos Estados Unidos há cerca de uma década, as B Corps existem agora em Itália e no Reino Unido, com a legislação a acelerar na Austrália, Argentina, Chile e Canadá. Muitos dos empreendedores que estão a aderir à UNIAPAC estão a usar esta forma de empresa social como forma de sinalizar o facto de levarem muito a sério os seus negócios, e fazendo-o de uma forma diferente e mais responsável.

E o que tem de fazer uma empresa que aceite ser orientada pelo bem comum?

Em primeiro lugar, tem de facilitar a comunicação entre os seus membros. Em segundo, tem de praticar a justiça, evitando a sujeição e a exploração. Em terceiro, tem de levar em consideração a estrutura motivacional de cada pessoa.

Mas deixe-me explicar. A comunicação não é a mesma coisa que a informação. Enquanto uma informação total é tudo o que é necessário para a coordenação de decisões, a cooperação pressupõe a prática de uma forma especial de democracia deliberativa: o exercício, entre os membros, da opção de “voz”.

Para uma exacta distinção entre a opção de “saída” e a opção de “voz”, temos de recorrer a A.O. Hirschman [economista e autor de Exit, Voice and Loyalty: Responses to Decline in Firms, Organizations, and States], que afirmava que a área por excelência de aplicação típica da primeira é a economia, sendo a política o campo de aplicação da segunda. Assim e neste caso, o significado adequado da acção cooperativa reside na extensão da opção de “voz” à esfera das relações empresariais.

[quote_center]As B Corps não têm a obrigação legal de maximizar o valor para o accionista mas, e ao invés, estão legalmente vinculadas a perseguir um benefício social[/quote_center]

Como sabemos, o processo de deliberação postula a possibilidade de autocorrecção desde que cada pessoa admita, desde o início, a possibilidade de alterar os seus pontos de vista à luz dos argumentos de outrem. O que significa que o método deliberativo exclui todos aqueles que declaram, e em nome da hierarquia, serem impermeáveis às razões dos outros. Com estes princípios em mente, poderemos afirmar que a deliberação pressupõe, necessariamente, a comunicação.

O outro pré-requisito mencionado é o compromisso face à equidade interna. A principal razão que motiva os membros a juntarem-se livremente para resolver um problema cooperativo consiste na eliminação da sujeição e da exploração. O preceito fundamental da cooperação está separado da coordenação pelo facto de postular não a hierarquia, mas a igual dignidade das pessoas e das áreas nas quais estas trabalham. Como observa John Rawls, a cooperação é muito mais exigente que a coordenação, na medida em que é baseada em regras e procedimentos que têm de ser acordados por todos os participantes.

Também sabemos que qualquer acção comum, e consequentemente cada empreendimento, precisa de alguém que exerça a função de comando para conseguir que as vontades dos diferentes indivíduos sejam convergentes. Mas se numa empresa “normal” o comando flui do poder da hierarquia, o qual pode ser mais ou menos autoritário, na empresa enquanto associação, o comando depende de uma liderança que torne impossível que qualquer pessoa imponha o seu próprio conceito de bem comum aos outros.

A temática central do Congresso Mundial da UNIAPAC é a transformação da actividade empresarial numa vocação nobre. Se tivesse de convencer os líderes empresariais de que este é o caminho certo a seguir, o que lhes diria?

O século XV foi o século do primeiro Humanismo, um evento tipicamente europeu. E desde o início do século XXI que estamos a precisar de um segundo Humanismo.

Na altura, a mudança do Feudalismo para a Modernidade foi o factor decisivo para se caminhar nessa direcção. Na actualidade, é também a Grande Transformação (no sentido de Karl Polanyi) – da sociedade industrial para a sociedade pós-industrial – que nos mostra a necessidade de um novo Humanismo. A globalização, a financeirização da economia, as tecnologias convergentes, os conflitos de identidade, os desafios ambientais e as desigualdades crescentes são apenas algumas das palavras chave que nos remetem para os “descontentamentos da civilização”, para citar o famoso ensaio de Sigmund Freud.

Assim, e ao enfrentarmos estes novos desafios, actualizar somente as nossas velhas categorias de pensamento ou remodelar as nossas técnicas de decisão colectivas não será suficiente. Temos de ter a humildade e a coragem para percorrer novos caminhos. A este respeito, uma relevante exortação proveniente da peça de trabalho belíssima escrita há algum tempo por J. Ratzinger:

[quote_center]Temos de ter a humildade e a coragem para percorrer novos caminhos[/quote_center]

“Uma moralidade que acredita ser capaz de prescindir do conhecimento técnico das leis económicas não é moralidade, mas sim moralismo. Uma abordagem científica que acredita ser capaz de gerir sem um ethos, interpreta de forma errada a realidade do homem. Desta forma, não é científica. O que precisamos na actualidade é de um máximo de entendimento económico especializado, mas também de um máximo de ética, para que a compreensão económica especializada possa colocar-se ao serviço dos objectivos certos”. (“Market Economy and Ethics”, Communio, 13, 1986, p.204).

As empresas fazem parte de ecossistemas de negócios, os quais, por seu turno, estão integrados nas economias locais e transnacionais, também elas interligadas com as sociedades. E os líderes empresariais da actualidade estão a perceber que o enfoque apenas no “jogo estreito do negócio” – ou seja, maximizar o retorno total para o accionista – se transformou numa proposição muito arriscada.

A ideia que está a ganhar um consenso cada vez maior é a do Impacto Societal Total, de acordo com a qual as empresas, enquanto instituições cognitivas, consideram o impacto das suas actividades multifacetadas nas dimensões sociais e ambientais, tanto quanto o fazem relativamente ao puro impacto económico que geram.

A noção do impacto societal total é a expressão de uma noção alargada de responsabilidade política corporativa que se refere ao impacto da actividade empresarial na polis e na rede política onde as empresas operam.

Existe hoje um reconhecimento alargado de que ir ao encontro dos 17 Objectivos do Desenvolvimento Sustentável e, em particular, lidar com o crescimento endémico das desigualdades sociais, não será possível sem as capacidades significativas do sector empresarial.

As empresas sabem muito bem como medir os seus resultados e terão de aprender a avaliar também o impacto social das suas actividades. Em última análise, é isto que nos faz ter esperança de que a categoria do bem comum irá representar um valor crescente no repensar do papel dos negócios na sociedade. E como sabemos, a longo prazo, existem poucas coisas tão poderosas como as boas ideias: e este é o princípio orientador que acompanha o trabalho da UNIAPAC.

Para saber mais sobre Stefano Zamagni