Estamos, antes de mais agradecidos a Deus, por nos convidar, por Lhe parecer que em nós e apesar de nós, afinal até é possível. Afinal, na humildade fomos tomando consciência de que somos pecadores já perdoados por Deus. Experimentámos o que é “ser amado primeiro, pelo chamamento a uma vocação”. Que tudo nos é delegado por Ele.

Agradecemos pela Sua pedagogia paciente de nunca nos mostrar mais do que aquilo que poderíamos entender. De saber esperar por nós no caminho. De nos ajudar ajudando-nos uns aos outros. Agradecemos por não nos ter mostrado a grande empreitada que teríamos pela frente, não fosse ficarmos assustados e fugir. Ou cair no erro de julgar que nos cabia levá-la adiante. De facto, não a nossa mas a d’Ele em nós, Pai e Autor de todas as coisas. Apesar de logo de entrada termos fixado as nossas condições e motivações para continuar, hoje olhamos para trás e sorrimos por todo este “olhar de Amor em nós”.

Agradecemos a cada um dos nossos amigos deste grupo, irmãos de caminho, que foram fazendo este caminho. Sem eles, sem os Dons e Talentos que Deus lhes deu, não teria sido possível fazermos o caminho. Não teria sido possível reconhece-Lo de forma tão marcante. Hoje sabemos, estamos seguros, de que não foram convidados pelo Jorge mas por Ele, de forma pessoal e directa. Mas, não poderemos deixar de agradecer enormemente ao Jorge por ter sido fiel e disponível, atento e aberto ao discernimento. Exemplo de serviço e um verdadeiro “empreiteiro-de-Deus”. Estes são precisamente alguns dos frutos do Espírito (Galatas, 5, 22) que também se manifestaram no João, a quem Deus colocou uma primeira semente no seu coração. E Ele sabia quem escolhia pois sendo um homem profundo e atento, fiel, que tudo anota e que se deixou treinar nas moções do Espírito, saber escutar no silencio, tem poucas palavras mas enorme sabedoria. Anotou, apontou, escreveu, partilhou, insistiu, insistiu, pediu ajuda, soube perseverar e insistir “à imagem da viúva”… E ainda o Padre Diogo, que nos convidou desde logo às coisas-do-alto mas com os-pés-na-terra. Esta elasticidade espiritual a que não estávamos habituados pois entrávamos nos nossos trabalhos e responsabilidades e cuidávamos do que era nosso.

Inspirados por Zaqueu, o empresário que subiu à arvore para ver Jesus, também nós estávamos impedidos pela nossa pequena dimensão e pela multidão (dos nossos preconceitos, julgamentos, urgências, carreiras, tantas e tantas coisas…) e começamos a discernir precisamente sobre esta leitura e o “Quero estar contigo. Hoje a Salvação chegou a esta casa”. Ainda longe de entender o critério de gestão do empresário de Jericó no “devolverei 4 vezes mais do que aquilo que recebi indevidamente”. Afinal, estávamos chamados ao mesmo, ao nosso trabalho do dia-a-dia, mas a SER NOVOS. Não uma versão melhorada mas a renovar o nosso olhar, os nossos gestos, a nossa mente, o nosso coração, para actuar em representação do Mestre.

Esta unidade de vida, o querer ser Cristão 24×7 faz de nós mais plenos, mais autênticos. Afinal, mais orientados à Missão a que Deus nos chama. Logo no inicio, achamos estranho quando o Padre Diogo nos perguntava: “Já pensaste o que Deus te pede que faças?” Ao que alguém, com enorme naturalidade terá respondido: “Sei lá o que Ele quer! Nunca pensei nisso!…”. Estas terão sido as primeiras perguntas para o caminho: “Vai e pensa em tudo isto”

Afinal Deus falava-nos de forma tão directa, tão forte dizendo: “Eu estou contigo, Chamo-te a seres Santo como Eu sou Santo, a seres Sacerdote, Profeta e Rei no teu local de trabalho. Ou seja, a santificares-te e a tomares a tua mesa, onde tomas as decisões mais difíceis, onde trabalhas, a ser o Altar da tua vida. A seres Profeta pois estás chamado a anunciar, a testemunhar, a denunciar, sem medo mas contribuindo para um mundo mais justo, mais digno, mais pleno. E a seres Rei pois é-te delegado um Poder de decidir. Não te pertence, não é teu – aliás, vai tomando consciência de que nada é teu, tudo te é oferecido por Mim – e no final, a decidires em Meu nome, como Meu representante. Eu quero tomar parte na tua Empresa e é a isso que te chamo, a seres (como) Cristo na Empresa. É uma chamada, uma vocação pessoal e por isso não a delegues. É a ti mesmo que te chamo e Quero fazer-Me Presente e, com isso, a Ser Presente”.

Agradecemos a tantos amigos e colaboradores com quem caminhámos. Com eles partilhámos caminhos, propósitos, missões. Mas também, pedimos perdão por nem sempre termos conseguido ser aquilo que nos propunhamos. Souberam experimentar a nossa fraqueza mas conheciam o nosso propósito. O nosso erro mas conheciam o critério que nos orientava. É por isso que na “fraqueza nos sentimos fortes”. Não na força do poder mas na força do serviço, do amor e da verdade como critérios de gestão.

Ao longo do caminho muitos mudaram de trabalho. Os desafios foram-se renovando. Mas sempre na Paz de não caminharmos sozinhos mas acompanhados.

Por fim, agradecemos às nossas queridas Famílias, início e fim de todas as coisas. Que nos acolhem, logo no final das nossas reuniões. Mas que, sobretudo, fazem todo o caminho connosco, mesmo que pelos nossos compromissos profissionais, nem sempre tenhamos estado presentes tanto quando devíamos. Se calhar, não o sabendo, sentavam-se connosco à mesa da partilha, afinal, o Altar das nossas vidas, onde estávamos chamados santificar as nossas vidas, como Sacerdotes, Profetas e Reis. O ponto inaugural passou a ser a unidade de vida em todas as circunstâncias. A que se junta o nosso compromisso de viver o amor e a verdade como valores da nossa vida. Como maridos, pais, filhos, amigos, colegas de trabalho.

Continuamos a conviver com a mesma natureza, na falha e no pecado mas interiormente buscamos “em tudo Amar e Servir”. E cada um de nós poderá testemunhar a enorme Graça que foi sendo recebida ao longo deste caminho. Partilhámos filhos que nasceram, filhos que nos chegaram ao coração em histórias emocionantes que nos transformam a vida. Vocações que em conjunto rezamos. Novas famílias que nasceram e netos que foram entretanto chegando, com o desfolhar da vida. Mas também decisões difíceis que se tomaram. Partilhas marcantes que se fizeram. Todos estes pequenos passos e conquistas foram crescendo no nosso coração profundamente agradecido e feliz. Foram arrumando valores, critérios, decisões e acções.

Não tínhamos ainda tomado consciência que começamos o caminho no dia 03 de Dezembro de 2008, dia de São Francisco Xavier. O estudioso de Paris que se apaixonou por Jesus e partiu por esse mundo fora, numa enorme empreitada que ainda hoje recolhe frutos por terras bem distantes. Onde se fez servo dos outros, aprendeu os costumes locais. À sombra desta enorme Graça, ouvimos as palavras de Inácio para o seu amigo Francisco: “De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro se perder sua alma?”

Passámos a ser, tanto quanto possível, subalternos de Deus, seus empreiteiros, Co-Labora(dores). Afinal, Ele conta com cada um de nós, apesar de tudo o que éramos e ainda somos. E assim, se foi fazendo o caminho, caminhando. Sabendo de onde vimos e para onde nos convidam e chamam a ir.

 

D. Nuno Bráz, Padre Diogo Mendes Barata, Padre Duarte da Cunha, Joao Ribeiro da Costa, Jorge Libano Monteiro, Luis B. Goes, Joao Lino Castro, Joao Pedro Tavares, Pedro Rocha e Melo, Rui Diniz.