No meio de tantas noticias negativas e alarmistas sobre a pandemia, que geram o medo e, muitas vezes a inação, gostava de começar esta crónica com um forte agradecimento a todos os que continuam a lutar pelas suas empresas e com ousadia enfrentam todas as situações, mesmo as mais difíceis, com coragem, responsabilidade e esperança no futuro, sem se deixarem vencer pelo medo ou pelo egoísmo, assumindo posições reativas, de fuga, de desespero ou desânimo.

Na verdade, os líderes empresariais, tem os talentos que Deus lhes deu, estão na linha da frente do combate à crise económica e social, são por definição construtores de esperança, capazes de inovar, resistir, sofrer e ser ousados na criação de valor, na construção do nosso futuro coletivo.

Nesse sentido, vale a pena perceber o esforço e a criatividade de muitos gestores com sentido de responsabilidade (muitos deles associados na ACEGE) para conseguirem manter as suas empresas em funcionamento, tranquilizando e protegendo os colaboradores. Medidas que podem também ser inspiradoras para muitos que nos leem e estão confrontados com problemas e questões semelhantes.

Agrupei estas medidas em três grupos: assegurar a operacionalidade das empesas; tranquilizar e a dar confiança aos trabalhadores; apoiar a comunidade.

No primeiro grupo de medidas dirigidas a garantir a operacionalidade da empresa mantendo em segurança os trabalhadores, destaco aquela que foi a medida mais usada: o Teletrabalho. Foi impressionante ver como as empresas e os colaboradores se adaptaram, quase de forma imediata, a esta nova forma de trabalhar e com excelentes resultados, que acredito no final deste período fará alterar o conceito de trabalho e de escritório que tínhamos até agora. Neste ponto ainda realce para a cooperação de todos na empresa, na capacidade de união na resposta positiva a este desafio, mesmo aqueles menos habituados à realidade digital.

Num segundo grupo de Medidas dirigidas a tranquilizar e a dar confiança aos trabalhadores num tempo de medo e incerteza, foi com particular agrado que vimos várias empresas, com responsabilidade e com o sentido de emergência que a situação requer, a envolverem-se socialmente: a comunicarem permanentemente e com total transparência aos Colaboradores o evoluir da situação, bem como todas as regras a seguir; a manutenção dos postos de trabalho, mesmo dos contratos a prazo; a garantirem os prémios relativos ao ano passado; ou ainda a assegurarem o subsidio de almoço para todos aqueles que estavam em casa sem trabalhar.

Nota também para o “acompanhamento social” à distância que as empresas fomentaram com a criação de grupos de whatsapp, Facebook e de inúmeras conferencias em Teams e Zoom. Nota positiva, também, para os telefonemas diários de presidentes e CEO aos trabalhadores, aos reformados, à família e amigos, aos mais idosos e frágeis, numa proximidade que há uns meses era menos “previsível”.

Finalmente, uma nota sobre as medidas de apoio à comunidade, mesmo na crise algumas empresas fomentaram o voluntariado, dentro das medidas de segurança, financiando a compra de equipamentos e medicamentos, fornecendo meios e géneros a IPSS, hospitais e famílias.

É assim muito importante, reforçar a ideia que dentro desta crise, continua a existir muito espaço e muita procura para praticar o bem.

Os próximos meses serão tempos de dificuldade e fragilidade, de recuperação da economia e dos postos de trabalho perdidos. Com o sentimento que o momento nos convoca, para sermos mais racionais e solidários, temos aqui uma excelente oportunidade para privilegiarmos o consumo de produtos nacionais, verdadeiros motores de recuperação do Pais.

O Mundo precisa cada vez mais de líderes com ousadia para enfrentar todas as situações, mesmo as mais difíceis, com coragem, responsabilidade e esperança, assumindo critérios de racionalidade, solidariedade, procura constante do bem comum, desenvolvimento económico e uma consequente melhor distribuição de riqueza.

Cabe a cada um procurar a forma de cumprir a sua missão, de corresponder sem egoísmo e sem medo ao desafio que todos temos pela frente. Se cada um fizer a sua parte, será mais fácil construir a esperança no futuro que todos desejamos.

Paulo Barradas Rebelo

Presidente do núcleo da Acege do Coimbra e

Membro da CDJP