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Conciliação e competitividade

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Roberto Martínez - Director da Iniciativa efr e da Fundación Másfamilia

As empresas que querem evoluir para um modelo que favoreça a conciliação são justamente as que estão mais interessadas no seu capital humano, na gestão do talento e, adicionalmente, aquelas que estão a dar os primeiros passos no caminho da gestão da conciliação não apenas por um exercício de responsabilidade e respeito dos valores, mas também porque perceberam e aferiram que se obtém numerosas vantagens, incluindo a mais desejada, que é a melhoria da produtividade e da competitividade
POR ROBERTO MARTÍNEZ

As empresas mais modernas, as pessoas com visão e as sociedades avançadas já a têm na sua agenda: a conciliação da vida pessoal, familiar e laboral ou, simplesmente, a conciliação. Por detrás deste novo conceito esconde-se, sem sombra de dúvida, uma das maiores ideias de mudança dos últimos tempos.

E, depois de muitos anos de trabalho nesta matéria, constatámos que se trata de um factor de êxitotanto para as empresas como para as pessoas e, por conseguinte, para uma sociedade mais plena. Mas por que motivo este é um factor estratégico de sucesso?

De acordo com este conceito de conciliação procuramos a soluçãoparaa difícil equação que, ainda agora, não somos capazes de resolver:desenvolvimento profissional ou pessoal? Até à actualidade este dilema tem vindo a ser abordado de distintos modos: trabalho ou família, trabalho ou amigos, trabalho ou vida…

Até há alguns anos eram só as pessoas que reclamavam aos Governos, a título particular, algumas alterações para mitigar ou eliminar determinadas consequências do modelo profissional em que estavam envolvidas (a dificuldade de conciliar a maternidade, o cuidado e atenção aos seus familiares, a sua própria saúde e bem-estar, etc.), tratando consequentemente de incrementar a sua própria felicidade. Porém hoje são já muitas as empresas que, através dos seus colaboradores, procuram um novo modelo laboral.

Ter o trabalho como único incentivo na vida não permite alcançar um incremento de produtividade

Por que motivo algumas empresas querem alterar o actual modelo e evoluir para um que favoreça a conciliação? Talvez a resposta esteja na constatação de que, analisando essas empresas, são justamente as que estão mais interessadas no seu capital humano, na gestão do talento e, adicionalmente, aquelas que estão a dar os primeiros passos no caminho da gestão da conciliação não apenas por um exercício de responsabilidade e respeito dos valores, mas também porque perceberam e aferiram que com a conciliação se obtém numerosas vantagens. Entre outras, podemos citar o reforço do compromisso, a atracção de talento ou até a vantagem mais desejada, que é a melhoria da produtividade e da competitividade.

Ter o trabalho como único incentivo na vida, e factores como horários intermináveis, registos de presenças, escassa confiança nos colaboradores, rigidez laboral ou limitação de espaço não nos irão permitir alcançar um incremento de produtividade. Tanto os empregados como os empregadores devem apostar numnovo modelo com o qual todos ganhem,aproveitando tudo aquilo em que a tecnologia possa beneficiar uns e outros.

Será isto possível? Acreditamos que sim, adoptando ummodelo que assente na gestão da conciliação, nas pessoas e nos seus níveis de liberdade, como o modelo efr. Não é um caminho fácil nem uma viagem curta; as mudanças exigem adaptações de todo tipo. Sobretudo na liderança das empresas.

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