texto da Lusa

O Compromisso Pagamento Pontual (CCP), plataforma de empresas, diz que “não se compreende” que o Estado tenha aumentado os prazos de pagamento aos fornecedores, numa altura em que estão a ser prejudicados pela pandemia.

Assim, o CCP vê “com insatisfação o desempenho do mês de junho, na medida em que o mesmo reflete uma indesejável mudança face à tendência recente”, de acordo com um comunicado.

“Com efeito, enquanto durante o mês de maio se verificou uma importante redução das contas em atraso aos fornecedores por parte da Administração Central, em junho essa redução foi completamente revertida”, lamentou a plataforma.

Segundo o comunicado, “não se compreende que, num momento em que tem o Governo tem liquidez para tal, mas que as empresas estão em situação aflitiva de tesouraria, o Estado aumente os prazos de pagamento para lá do acordado e que assim pressione ainda mais a delicada situação de tesouraria das empresas”.

“Neste contexto económico adverso, o CPP desafia o Governo e as administrações das entidades que compõem a Administração Central a que se comprometam a reduzir os pagamentos em atraso até que estes sejam eliminados ou se tornem residuais e que em caso algum permitam que estes aumentem”, apelando ainda às Administrações Locais e Regionais, “a que continuem a manter como prioridade os pagamentos atempados aos seus fornecedores”.

O CCP pediu assim que o Governo vá “mais longe no desejo de criar liquidez na economia, pagando de forma imediata a todos os seus fornecedores as dívidas a mais de 90 dias, que representavam em junho deste ano 255 milhões de euros por parte da Administração Central, e a reduzir de forma significativa os prazos médios de pagamentos a todos os seus fornecedores para prazos inferiores a 30 dias”.

A entidade citou dados da Direção-Geral do Tesouro, da Apifarma (Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica), entre outras entidades.

O CCP integra a ACEGE (Associação Cristã de Empresários e Gestores), a CIP (Confederação Empresarial de Portugal) e a APIFARMA (Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica), em conjunto com 1.374 empresas.