A frase é de Beatriz Mérida, da Fundación Másfamilia, numa sessão promovida pela ACEGE na sede do Santander, sobre conciliação família e trabalho.

Uma frase dita sem deixar espaço para dúvidas e que vai ao encontro das conclusões do estudo sobre “Desafios à Conciliação” da NovaSbe para a CIP e a ACEGE, e coordenado pelo Prof. Miguel Pina e Cunha. Um estudo que analisou os mais reconhecidos estudos a nível mundial sobre conciliação, concluindo que sempre que existe abertura nas empresas para promover uma “relação simbiótica entre a família e o trabalho” são implementadas “soluções mais benéficas e eficazes”, que reforçam a produtividade dos colaboradores, o seu grau de satisfação na empresa e diminuem o absentismo, a rotatividade e garantem a retenção dos melhores.

É por isso da maior importância que os líderes e as empresas sejam sensibilizadas para a necessidade de promover uma nova cultura de gestão que trate cada colaborador, como uma pessoa, como alguém que é membro de uma família. É preciso reforçar a certeza que o sucesso da empresa não pode ser feito à custa dos trabalhadores, mas que o sucesso da empresa tem de promover também o sucesso dos colaboradores.

Neste processo de afirmação de uma nova cultura de gestão, é da maior importância a liderança da empresa, quer na implementação interna de medidas de conciliação, que não sejam apenas boas intenções, mas que sejam concretizadas em politicas concretas, valorizadas, medidas e avaliadas, quer também no exemplo daquilo que faz.

Na verdade, encontrar o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal e familiar nem sempre é fácil, assumindo-se, muitas vezes, como uma tarefa ingrata e quase impossível para muitas pessoas que trabalham. Os horários longos e as exigências das responsabilidades e actividades, a falta de flexibilidade e o medo, por parte dos trabalhadores, de assumirem problemas da sua vida familiar na empresa, a educação dos filhos, mas também o acompanhamento aos pais, são questões complexas que necessitam de uma nova visão dos líderes e dos trabalhadores.

É necessário mudar este paradigma de competição entre a família e o trabalho, e promover uma maior harmonia entre o trabalho e a família, procurando eliminar os conflitos entre estes dois “mundos”, que na verdade são apenas “um mundo”: a nossa Vida vivida em diferentes actividades e papéis.

A família é essencial para a felicidade de cada um de nós e para o desenvolvimento da sociedade, por isso tem de ser vista como um “parceiro” e não como um obstáculo ao desenvolvimento das organizações”, como aquela que “interfere na competitividade” e na rentabilidade dos negócios.

Os estudos são claros que a questão da conciliação não pode ser vista “como um dilema, em que temos de escolher a família ou o trabalho”, mas tem de ser encarada “como um paradoxo”, que se bem articulado promove colaboradores mais felizes e disponíveis, famílias mais fortes e empresas mais produtivas.

Nesta época em que celebramos o nascimento de Jesus e relembramos a sua família e todas as nossas famílias, peço para todos esta conciliação entre a vida profissional e pessoal, de forma a sermos melhores pessoas e a construirmos organizações que sejam verdadeiras comunidades de pessoas e de famílias.