Opinião

Uma nova geração de líderes empresariais

A vocação do líder empresarial, tal como nos é proposta no inspirador documento do Conselho Pontifício Justiça e Paz, desafia-nos a ter, no coração do nosso trabalho, a missão de ser colaborador de Deus na obra da Criação. Tudo o que pensamos, dizemos e fazemos destina-se a esse fim. E que privilégio é sermos convidados para essa obra e que responsabilidade temos também ao aceitar esta proposta
POR ALEXANDRA MACHADO *

A reflexão que vos proponho é qual o testemunho que deixamos a uma nova geração que está a dar os seus primeiros passos neste caminho.

Seguindo a metodologia do documento “A Vocação do Líder Empresarial”, esta reflexão implica VER com clareza a situação em que se encontra esta nova geração, JULGAR com base nos princípios que promovem o desenvolvimento integral da pessoa humana e AGIR de forma a cuidarmos do futuro da obra da criação.

VER com os olhos de Deus e tomar consciência dos desafios, das sombras e das luzes que hoje tantos jovens defrontam no início da sua vida profissional.

O desafio económico de uma taxa de desemprego das mais elevadas da Europa.

O desafio de mercado gerado por um longo caminho a percorrer da “educação para o emprego”.

O desafio da expatriação como forma de procura de um desenvolvimento que não encontram no seu País.

O desafio do início da construção de uma nova família, pilar tão importante na edificação da nossa sociedade.

JULGAR se estamos ou não a garantir o desenvolvimento integral dos jovens que procuramos, com quem trabalhamos, com quem nos cruzamos.

Todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos. Todos somos chamados a aplicar o princípio da subsidiariedade, seja pela confiança que geramos, seja pela formação ou pela experiência que partilhamos e pela responsabilidade que pedimos.

Quanto tempo dedicamos a este futuro? Que proactividade temos em procurar ser um instrumento de mudança? Que testemunho damos com as nossas acções? Que incentivos criamos? Que condições proporcionamos?

AGIR, colocando em prática as nossas aspirações.
Receber de Deus a inspiração que nos dá luz.
Dar até onde nos for possível ir.

Uma parte decisiva da formação dos futuros líderes empresariais processa-se através da educação universitária. As nossas universidades são hoje uma referência na qualificação técnica. A questão complementar que se coloca é com que formação ética e espiritual saem os novos gestores das universidades, a qual lhes deverá assegurar que os seus pontos de vista e qualificações serão usados para o bem-estar dos outros e colocados ao serviço do bem comum.

Cabe ao líder cristão agir e participar neste processo, manifestando disponibilidade em colaborar com as universidades na partilha do testemunho de gerir com base no princípio do amor ao próximo.

Cabe ao líder cristão ter um papel activo na construção do futuro da obra da Criação.