Opinião

Reconquista

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De que é que estamos à espera? Portugal e os portugueses precisam de mudar de vida, alterar hábitos, procurar novos paradigmas, construir um futuro diferente, mais realista e consolidado
POR LUÍS BRITO GOES

Luís Brito Goes é advogado
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Não vale a pena continuar à espera de que qualquer coisa aconteça para além das nossas forças, vontades ou opiniões. Temos de ser agentes activos nas mudanças que nos são exigidas e impostas. Cada um de nós deverá olhar para o seu modus vivendi  e tentar perceber se tem algo que possa ou deva mudar, corrigir, acentuar ou clarificar no seu dia-a-dia de forma a ajudar o país a “entrar nos eixos” e dessa forma a ajudar-se a si mesmo e aos outros.

Proponho quatro diferentes áreas de reflexão.

Formação e conhecimento. O que é que cada um de nós, nas suas áreas core profissionais e sociais tem feito para se adaptar aos tempos em que vivemos, à realidade que está para vir? Será que o aprofundar dos nossos conhecimentos para melhorar o desempenho das nossas diversas funções poderá ajudar a corrigir tendências menos correctas e a competir ombro a ombro com os nossos concorrentes?

Consumo e aforro. Por tradição, somos um povo de consumo fácil, sempre gastámos o que tínhamos e o que não tínhamos. Desde os tempos dos Descobrimentos que somos uma nação à procura de mais para que fosse possível gastar mais, sempre quisemos ser maiores do que realmente somos. Não está na nossa tradição, no nosso ADN, o conceito do aforro. Hoje este paradigma é insustentável. Sem reduzir a procura de forma efectiva, muito em particular no consumo pessoal e familiar, em especial de produtos não nacionais, não será nunca possível corrigir o enorme desequilíbrio que hoje se verifica na nossa balança de pagamentos.

Empreendedorismo e fomento. A história mais recente mostra que Portugal é claramente deficitário na construção de um ambiente de progresso sustentado e de promoção da inovação como factor de crescimento económico e social. Será, com certeza, útil fazermos um exercício de auto conhecimento profundo, identificando as nossas principais fortalezas e empenhando-nos fortemente por colocá-las a render.

Futuro e sustentabilidade. Olhemos para os tempos que se aproximam, a curto, médio e longo prazo. Tracemos metas realistas, definamos um rumo pessoal, familiar, empresarial e nacional. Tentemos mobilizar os nossos pares para que, com realismo e determinação consigamos, passo a passo, ganhar credibilidade, mostrar querer, mobilizar vontades e alcançar um caminho de autonomia e sustentabilidade.

Portugal tem quase 900 anos de história, muito já se fez e muito ficou por fazer, mas hoje, mais do que nunca, Portugal e os portugueses precisam de se unir, reagir e mudar tendo em vista construção de um Bem Comum. Aquilo que temos pela frente é uma nova reconquista, a reconquista de Portugal. Comecemos hoje mesmo.