Realizou-se

Peregrinação à Terra Santa. «É o Senhor!»

0 443

Jo, 21, 5-7: Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não. E ele lhes disse: Lançai a rede para o lado direito do barco, e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar, pela multidão dos peixes. Então aquele discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor!. E, quando Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se ao mar.

Também naquele tempo, setembro de 2017, partiram os discípulos em peregrinação à Terra Santa, na companhia do Dom Manuel Clemente e do Rui Corrêa de Oliveira, inspirados por este reconhecimento de que “É o Senhor!”.

Partimos para Nazaré, rezámos na Igreja da Anunciação, início da história redentora de Cristo pelo sim de Maria. Que este “Nada temas, não se perturbe o vosso coração” seja uma presença na nossa vida para que, em paz e confiança, possamos repetir sempre que “Faça-se em mim segundo a vossa vontade”. Ao final do dia, absolutamente sozinho em oração, diante da gruta da anunciação senti enorme paz e Deus dizer-nos “pacifica o teu coração para que possas experimentar neste mesmo lugar a Graça de Deus”. E por ali revivemos os primeiros anos da vida de Jesus mas também no monte Tabor, e sempre nas proximidades de Nazaré.

Descemos ao mar da Galileia e experimentámos reviver a vida pública de Jesus, em Magdala, Cafarnaum ou Cesareia de Filipe, onde renovámos as promessas do Baptismo, numa das nascentes do rio Jordão, mergulhando uma medalha em barro poroso, para que vivamos de forma consciente, no quotidiano da nossa vida, sempre com esta marca do Baptismo, que renova todas as coisas. Celebrámos a Eucaristia em lugares marcantes, como o da Multiplicação dos Pães ou o Monte das Bem-Aventuranças. É marcante a fidelidade ao serviço e à missão dos nossos irmãos Franciscanos, como custodiantes dos lugares santos.

Cruzámos o Mar da Galileia pelo norte e descemos pelos montes Golan a sul, para Qumran, lugar do Baptismo de João, e um marcante momento de oração no deserto, antes de subir a Jerusalém. Depois de também nós recitarmos o Magnificat e o Benedictus em Ein karim lugar onde Maria e Zacarias impelidos pelo Espírito os cantaram, depois de ajoelharmo-nos em oração junto à manjedoura de Belém, entrámos em Jerusalém, visitámos a Cidade Velha, partilhada por mulçumanos, cristãos e judeus, lugar de culturas e carregada de história. Revivemos o Cenáculo, o Monte das Oliveiras, a Via Sacra, o Gólgota, o Santo Sepúlcro, sentindo-nos pequenos e agradecidos, por tanta Graça recebida. De facto, Jesus disse “fareis coisas maiores do que estas” e toda a história nestes últimos 2.000 anos é sinal disso mesmo.

“É o Senhor!”. Este reconhecimento de João, discípulo que reconheceu, na voz e na presença, o Mestre, depois de toda uma noite infrutífera na pesca e perante tão grande fruto entretanto recolhido ao lançar as redes para o lado direito, tem muito a ver com as nossas vidas no trabalho, seja nas empresas ou em qualquer outro contexto em que estejamos a servir, a trabalhar. Quantas vezes desanimamos, na noite dos nossos labores, no insucesso, na ausência de resultados, na frustração do que obtivemos, na incompreensão do que o Senhor nos pede à imagem dos discípulos a caminho de Emaús? E quantas vezes reconhecemos esta presença transformadora, a mais marcante das nossas vidas, o reconhecimento humilde de que nada nos é devido mas que tudo recebemos de Graça, desde os talentos, o tempo, as relações, a vida, as oportunidades, tanta coisa? Na corrida das nossas vidas, quantas vezes nos esquecemos de parar, levantar a cabeça e reconhecê-Lo ali ao nosso lado? Que este “É o Senhor!” seja uma chave no nosso coração, durante este tempo e nos ajude a levar como bom fruto para bom proveito na nossa vida.

“É o Senhor”, do quotidiano, do dia-a-dia, na pesca dos nossos trabalhos, na noite, nos cansaços, nos desânimos mas também, nas alegrias, na paz, na superação, quem nos guia e nos conduz, quem alumia o nosso coração.

João Pedro Tavares