Opinião

O Compromisso que faz falta a Portugal

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A última sessão do Compromisso Pagamento Pontual trouxe-nos o melhor dos sinais: há uma força viva empresarial com vontade de marcar a diferença. A adesão pública da Câmara Municipal de Vila Real, juntamente com 67 novas entidades privadas e do sector social da região, foi mais um importante contributo neste movimento nacional
POR JOÃO QUINTELA CAVALEIRO*

É de Compromissos que vos falamos. A última sessão solene do Compromisso Pagamento Pontual realizada pela ACEGE, conjuntamente com a CIP, IAPMEI, APIFARMA e em especial pela Caixa Geral de Depósitos trouxe-nos o melhor dos sinais: há uma força viva empresarial com vontade de marcar a diferença.

Dando sequência à formalização que havia ocorrido com a Câmara Municipal do Porto no final de 2015, a adesão pública da Câmara Municipal de Vila Real em 2016, juntamente com 67 novas entidades privadas e do sector social da região, foi mais um importante contributo neste movimento nacional. Combater um ciclo vicioso de pagamentos fora de horas, para que se torne num virtuoso ciclo de cumprimento.

O surpreendente movimento de interesse gerado é a melhor das provas de que há quem pretenda contagiar pelo exemplo, pagando a horas

Com o Salão Nobre do Município repleto, a participação do Presidente da Câmara e de todo o executivo na adesão formal sinalizaram a posição que o sector público pode prestar. E vai de encontro ao esforço de melhoria que as entidades públicas têm vindo a desenvolver na redução dos tempos de pagamento a fornecedores, na sequência da Lei de enquadramento orçamental, do Programa de Apoio à Economia Local, do Decreto Lei n.º 62/2013 e da Directiva Comunitária n.º 2011/7/EU. Estamos conscientes do longo caminho a percorrer, pois em 2014 o prazo médio de pagamento de Entidades Públicas era de 129 dias, face a uma média europeia de 58 dias.

Uma palavra de reconhecimento a todos os empresários e gestores que se têm comprometido. O surpreendente movimento de interesse gerado em volta da Sessão, do empresariado e gestores de referência, da rádio, dos jornais, da televisão, foi a melhor das provas de que há quem pretenda contagiar pelo exemplo, pagando a horas. Aquela plateia soube demonstrar com consciência que a cultura de permissividade e de irresponsabilidade, aparentemente enraizada como factor cultural em Portugal, pode ser contrariada. Sem pretensões de sancionar aqueles casos em que, pelos sectores onde se inserem, não é possível cumprir atempadamente. É também para esses que o compromisso se direcciona, sem reprimendas, sem desconsiderações, com o anseio de poder auxiliar para que se agreguem.

A cultura de permissividade e de irresponsabilidade, aparentemente enraizada como factor cultural em Portugal, pode ser contrariada

Nem tudo são más notícias: há dinâmica de mudança. Muitas destas novas entidades aderentes são PME Líder, PME Excelência, para as quais as instituições bancárias concorrem para lhes conceder crédito. Se atendermos que nestas 67 organizações se exporta para os cinco cantos do mundo, há ilustres referências da mais antiga Região Demarcada vitivinícola – o Douro -, de recuperação na hotelaria e turismo de charme, no desporto profissional, nas telecomunicações, na banca, na energia e serviços públicos essenciais. A receita é a de sempre: trabalho e humildade, habituados com pouco a fazer muito, sentindo as suas organizações como continuação da sua família.

Sua Santidade, o Papa Francisco, exorta-nos a olhar para as periferias, porque é aí que encontramos o verdadeiro centro. Este foi mais um exemplo de que, em terrenos de alegadas periferias geográficas, se encontrou centralidade económica e social. Na mesma homilia em que escreve sobre os excluídos, sublinha a Nobreza da actividade empresarial: é uma vocação nobre, desde que aqueles que nela estão envolvidos se vejam desafiados por um significado maior na vida.

Se perguntarmos a estes empresários e gestores aquilo que mais os motiva quando olham para um novo projecto, arriscamos a responder que não serão os dividendos, mas a resposta a três pequenas questões: o projecto é estratégico para a empresa e para os trabalhadores? Acrescenta valor? Está sintonizado com as melhores práticas de gestão?

São estes os Valores e a vontade de debater e inspirar que têm levado todas estas marcas de reconhecimento nacional a associarem-se, a partir da acção de cada líder, de cada empresa. O Compromisso Pagamento Pontual é apenas um dos muitos vectores desta missão, de trabalho, de e para as pessoas.

Com um espírito verdadeiramente ecuménico, cumpre-se uma máxima que nos é querida: façamos aos outros aquilo que gostávamos que nos fizessem a nós. A missão é inspirar pelo exemplo. Assim lideramos com Responsabilidade.