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Negócios e valores…

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Descrição: Se analisarmos a História da Humanidade, facilmente verificamos que o Homem tem tendência para se radicalizar e para viver nos extremos. Efectivamente, durante séculos, as religiões impuseram códigos morais que penetraram em todos os sectores da sociedade humana, condicionando os comportamentos individuais e sociais de uma forma quase absoluta e dogmática.
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Se analisarmos a História da Humanidade, facilmente verificamos que o Homem tem tendência para se radicalizar e para viver nos extremos. Efectivamente, durante séculos, as religiões impuseram códigos morais que penetraram em todos os sectores da sociedade humana, condicionando os comportamentos individuais e sociais de uma forma quase absoluta e dogmática.

                                                          

Esses códigos axiológicos foram sendo interpretados, adaptados e plasmados em leis que normalmente mais não eram do que a defesa do “status quo” social e económico que defendia os interesses das classes dominantes, identificadas no caso do Ocidente com a clero e a nobreza, às quais posteriormente se acrescentou a burguesia capitalista.

 

Foi essa realidade histórica que levou Marx para o extremo oposto, tentando destruir todos os valores até então vigentes, e construir uma sociedade nova baseada na solidariedade para com a classe dita dominada e no ódio para com a classe dita dominante, numa síntese inconciliável de opostos (amor/ódio), como a História se encarregou de demonstrar.

 

Foi o materialismo histórico marxista – apoiado no materialismo dialéctico, um e outro interpretados de diferentes maneiras consoante a sensibilidade de cada intérprete – que abriu as portas à contestação não só de todos os valores do passado como também de todos os valores que porventura se viessem a constituir no futuro. Com efeito, negada a universalidade de todo o tipo de valores, nunca mais ninguém conseguiria sustentar a perenidade de qualquer valor.

 

Por isso, a segunda metade do século XIX, mas sobretudo todo o século XX, foram tempos de luta entre 3 tipos de correntes: de um lado estiveram os que pretendiam destruir todos os valores da civilização ocidental greco-romana e judaico-cristã que constituía a ossatura do código civilizacional ocidental; do outro estiveram os que pretendiam manter intocáveis esses mesmos valores e impor a toda a Humanidade a interpretação que eles faziam dos mesmos, como aconteceu com as ditaduras da Península Ibérica; e, por último, estiveram os que pretendiam preservar o esqueleto do código axiológico ateniense, enriquecendo-o, porém, com as alterações que a experiência histórica foi aportando ao longo dos séculos.

 

Foi assim que, no plano político, a Europa do século XX ficou marcada pelos regimes da cortina de ferro, por um lado, por algumas ditaduras de extrema-direita, por outro, e, em último lugar, pelos regimes democráticos da Europa Ocidental e dos Estados unidos da América.

 

À semelhança do plano político, também no plano ético podemos falar em 3 perspectivas diferentes. Por um lado, temos os que procuram manter um código ético, imposto a toda a Humanidade, baseado numa moral revelada de cariz religioso, como acontece com os muçulmanos radicais e com algumas franjas cristãs igualmente radicais; por outro lado, temos os que defendem uma ética marxista sem outro critério justificativo que não seja a interpretação, necessariamente subjectiva, que cada qual dá aos interesses de classe; e, por último, temos os que defendem a necessidade de uma Ética Mínima constituída por aquele conjunto de valores sem os quais nenhuma sociedade pode sobreviver. Há também quem lhe chame Ética Cívica ou Ética da Cidadania.

 

Naturalmente, dentro de cada um destes grandes grupos, podemos aqui e ali encontrar outros grupos menores com características próprias, ainda que sempre enquadrados na matriz axiológica do grande grupo em que se inserem.

 

Para lá destas 3 grandes correntes, que tentam enquadrar axiologicamente a sociedade, podemos ainda falar em códigos éticos específicos através dos quais determinados grupos sociais procuram formatar o seu comportamento ético-social, não o impondo ao resto da sociedade a não ser pela força do exemplo. Julgo que será dentro deste grupo que se insere a Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE).

 

Eu sou dos que defendem a necessidade de um núcleo mínimo de valores com carácter universal, isto é, válidos para todas as sociedades, porque sem eles nenhuma sociedade pode sobrevier. Mas, ao mesmo tempo, como cristão, entendo que o meu comportamento social e profissional deve ser pautado por um nível de maior exigência em termos éticos pelas razões que passo a expor.

 

Eu sou dos que entendem que o objectivo de qualquer sociedade civilizada e moderna não se deve contentar com a mera convivência pacífica entre os cidadãos, como a Ética Mínima pretende. Pelo contrário, entendo que o objectivo último de qualquer ser humano é a felicidade, como já advogava Sócrates. Ora, nós sabemos que é um dado histórica e ontologicamente irrefutável que nenhum ser humano consegue sozinho a sua realização e muito menos a sua felicidade. Só com o contributo da sociedade e, portanto, com a ajuda dos Outros, é que poderemos atingir esse objectivo.

 

Assim sendo, se nós só construímos a nossa autonomia, como diz Piaget, com a ajuda dos Outros, também temos a obrigação da reciprocidade, ou seja, o dever de ajudar os Outros a construir a sua autonomia. A autonomia e a reciprocidade são duas dimensões essenciais do conceito de pessoa. Ser pessoa significa autonomia, mas significa também reciprocidade.

 

Nestes termos, parece-me de toda a actualidade o preceito cristão de “amar o próximo como a nós mesmos”, logo a seguir ao amor a Deus. Daí que o código ético de um cristão e, consequentemente, de um empresário e de um gestor cristão vá muito para além da Ética Mínima. Os negócios não são um fim em si mesmos, mas apenas um instrumento ao serviço da nossa felicidade e da felicidade dos Outros.

 

É com base neste pressupostos que me identifico com uma Associação Cristã de Empresários e Gestores que prossiga os objectivos atrás expostos.

Area tematica: Opiniao
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Article Date: 07-11-2007
Ante_Titulo: Diegues
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Tipo destaque: Secundario
Autor: Diegues
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Tipo de Artigo: Html