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Alterações Climáticas

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Acácio Faria Lopes

“ Se não arrepiarmos caminho, vamo-nos afundar”. Estas palavras são do Papa Francisco quando falava aos jornalistas no seu regresso da Colômbia. Referia-se às alterações climáticas e às consequências que estas têm para a Humanidade – dor, sofrimento, devastação e morte. Mas o Papa foi mais contundente quando disse: “ a ciência é muito clara sobre as alterações climáticas e que quem as nega será julgado pela História”.

Estamos a falar de um assunto sério. Não foi por acaso que o mesmo Papa dedicou uma das últimas encíclicas, Laudato Si, a esta matéria, lembrando que “a ecologia é um bem inegociável”, intimamente ligada à vontade do Criador, cuja omissão poderá ser um desastre para a sobrevivência da Humanidade. Por isso mesmo ele falou da Casa Comum.

Este tema reapareceu, recentemente, aquando da formação no Atlântico dos furacões Harvey e Irma, que criaram a morte e devastação na zona das Caraíbas e na Flórida, quase sem precedentes. De facto, milhões de pessoas tiveram que abandonar as suas casas, familiares, amigos, o trabalho e por fim o direito à segurança, pessoal e coletiva.

Estas palavras do Papa também me questionaram, como cidadão e como católico. Aliás o Papa referiu, no mesmo momento, que todas as pessoas, incluindo os políticos, têm “responsabilidade moral” para levar o assunto com responsabilidade. Senti que o outro, o próximo, embora longe dos meus olhares e desconhecido nas minhas relações, tendo como única imagem o que via na televisão, não deixava de ser um filho de Deus que eu tinha de amar, e que naquele momento estava afogado de dor e sofrimento.

Mas o que podemos fazer? Vivemos numa sociedade de assédios, a todos os níveis e em todas as latitudes. Os recursos naturais fatalmente entram em colapso e a sobreprodução, para além de agressiva ambientalmente, torna o nosso planeta desequilibrado na sua ordem natural. E se isto não bastasse, por ser criminoso, porquanto vai contra os interesses inalienáveis da Humanidade, estamos a vender a liberdade, a dignidade e o bem-estar das gerações futuras que necessitam de recursos para viverem.

Vamos consumir o que é necessário. Vamos usufruir da natureza sem a maltratar. Não caiamos nas tentações do marketing do supérfluo. Vamos rejeitar a novidade pela novidade. Saibamos fazer escolhas. Se assim procedermos respeitaremos os recursos da Natureza e decerto pouparemos muita dor e sofrimento.

Assim estamos a amar o próximo e a cumprir a lei. Nestes dias de pesadelo para tantos irmãos que sofriam em resultado destes fenómenos naturais, lembrei-me da carta de S. Paulo aos Romanos 13, 8-10 “ Irmãos, não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, pois quem ama o próximo está cumprindo a lei … O Amor não faz nenhum mal contra o próximo.“

Destas palavras resulta que devemos estar sempre em divida perante o próximo. Se o não fizermos é porque desistimos de amar. Vamos ao encontro do desejo do Papa Francisco, construir a Casa Comum, nas várias circunstâncias da nossa vida.

Vamos estar atentos. Ao virar da esquina existe sempre mais um objeto imprescindível que não é mais do que um “ placebo”.

 

Acácio Lopes

Empresário

Responsável Núcleo Acege de Leiria.

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