Opinião

A Chegada do Primeiro Economista ao Céu

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No passado dia 29 de Abril confirmou-se o que há muito se suspeitava: no Céu também há espaço para economistas. Céu e Economia podem parecer uma combinação improvável. Mas não impossível, como mostra a vida do agora Beato José Toniolo.

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José Toniolo nasce em 1845, em Treviso, numa Itália ainda desunida e em Revolução Industrial. Com 22 anos licencia-se em Direito pela Universidade de Pádua. Depois de iniciar a sua carreira docente nesta Universidade passa pelas Universidades de Veneza, Modena e Pisa onde ensina Economia Política, Estatística e Direito Administrativo.

O ano de 1878 é duplamente significativo na vida de Toniolo: em Fevereiro, o cardeal Vincenzo Pecci é eleito Papa, ficando conhecido por Leão XIII; em Setembro, o jovem professor casa com Maria Schiratti, com quem irá ter 7 filhos.

Desde cedo Toniolo percebe que a sua santificação passa pelo trabalho e pela família, ou seja, como dirá o Concílio Vaticano II um século depois, através das “condições, tarefas e circunstâncias da própria vida” (vd. Lumen Gentium, 41).

Como professor de Economia defende o primado da Ética sobre a Economia, dirigindo-se directamente aos problemas mais candentes da sua época: a condenação do trabalho infantil, a limitação das horas de trabalho, o estabelecimento dos dias de descanso, o pagamento do «salário justo». Não é pois de estranhar que o seu pensamento tenha influenciado o Papa Leão XIII na redacção da encíclica Rerum Novarum (1891). Este «documento imortal», como lhe chamou Pio XI 40 anos mais tarde, fundou o que hoje é conhecido por Doutrina Social da Igreja.

José Toniolo esteve envolvido na reorganização da Acção Católica Italiana e na idealização da Universidade Católica do Sagrado Coração.

A 7 de Outubro de 1918, Toniolo morre em Pisa com fama de santidade.

Por Tiago Teles de Abreu Tarré é Docente da Católica-Lisbon School of Business and Economics